ESTUDO DE CASO
Este estudo de caso foi um trabalho com aluno especial com Transtorno do Espectro Autista.
1 INTRODUÇÃO
1.1 DEFINIÇÃO
O autismo é um transtorno, de desenvolvimento que aparece nos três primeiros anos de vida, e afeta o desenvolvimento normal do cérebro relacionado às habilidades sociais e de comunicação. É uma alteração “cerebral”, “comportamental” que afeta a capacidade da pessoa comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia.
Algumas crianças apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, algumas apresentam também atraso mental, mutismo ou importantes atrasos no desenvolvimento da linguagem. Outros aparecem fechados e presos a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento.
O autismo é mais conhecido como um problema que se manifesta por um alheamento da criança ou adulto acerca do seu mundo exterior, encontrando centrado-se em si mesmo, ou seja, existem perturbações das relações afetivas com o meio.
A palavra “autismo” deriva do grego “autos” que significa “voltar-se para si mesmo”. A primeira pessoa a utilizá-lo foi o psiquiatra austríaco Eugen Bleuler para se referir a um dos critérios adotados em sua época para a realização de um diagnóstico de esquizofrenia. O adjetivo “autismo” foi introduzido na literatura em 1906, pelo estudioso Plouller, mas foi Bleuder em 1911, o primeiro a difundir o termo autismo, definindo-o como perda de contato com a realidade. Referindo-se a transtorno básico da esquizofrenia, que consistia na limitação das relações pessoais e com o mundo externo, parecendo excluir tudo que parecia ser o “eu” da pessoa.
1.2 SINTOMAS E SINAIS
A criança autista demonstra alguns problemas específicos como medo, fobias, alterações do sono e de alimentação e ataques de birra e agressões, na ocorrência do retardo mental são bastante comuns a autoagressão, essas crianças apresentam problemas na comunicação e linguagem, apresentam também déficit em quatro áreas: pobreza de jogos imaginários, compreensão de gestos, linguagem como objeto de comunicação social e presença de respostas estereotipadas ou ecolalias.
1.3 CARACTERÍSTICAS
De acordo com Belisário Filho (2010) as principais características da criança apresentada antes dos 3 anos de idades:
- Dificuldade em estabelecer contatos com os olhos;
- Parece surdo, apesar de não ser;
- Age como se não tomasse conhecimento do que acontece com os outros;
- Apresenta certos gestos repetitivos e imotivados como balançar as mãos, ou balançar-se;
- Arruma seus brinquedos sempre da mesma forma e, mesmo que fique sem vê-los durante um tempo, lembra-se da sua posição;
- Pode haver atraso ou ausência do desenvolvimento da linguagem;
- Prejuízo no desenvolvimento da interação social e da comunicação;
- Demonstra ansiedade frequente;
- Usa as pessoas como instrumento para satisfazer suas necessidades.
- Manter na medida do possível uma rotina (hora/atividades/local/objetos);
- Manter condições de certa estabilidade evitando muitas transições, com frequências (mudar de escola, empregadas, tipos de alimentos);
- Oferecer um ambiente previsível, e com segurança (evitar surpresas);
- Explicar com clareza as ideias implícitas que eles não conseguem entender;
- Dar oportunidades de mostrar suas habilidades, suas áreas mais bem desenvolvidas;
- Ensinar regras sociais simples, aquelas que as demais crianças aprendem sozinhas;
- Encorajar nas amizades, nas pequenas iniciativas de contato social;
- Ensinar a eles como melhorar a expressar seus sentimentos de medo e suas ansiedades;
- Oferecer explicações mais concretas, dar exemplos a situações muito abstratas;
- O educador é fundamental como modelo, ser calmo e afetuoso;
- Ensinar ou mesmo treinar as normas sociais, o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode fazer em determinados espaços;
É importante ressaltar que, quanto mais cedo se identificar o autismo, mais eficaz será o tratamento e, em alguns casos, a sua recuperação.
1.3 TIPOS DE TRATAMENTO
Não existe uma cura completa porque a personalidade está distorcida e a maturidade mal estruturada, o que pode ser feito é um tratamento especializado, o mais indicado é a psicoterapia prolongada, é importante também um tratamento multidisciplinar composta por psiquiatra, fonoaudióloga, psicólogo, pedagogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, dentre outros mais diversos especialistas que ajudam no tratamento com o autista.
No tratamento com criança autista é importante e necessária a manutenção de uma rotina diária, a rotina é fundamental para O estabelecimento de hábitos higiênicos, alimentares e posturais corretos e, é fundamental para que a criança consiga um nível de desempenho que possibilite sua integração na família e na sociedade.
O tratamento psicanalítico visa oferecer condições para que a criança autista constitua a noção dela mesma e dos outros, e ao ser aplicado leva-se em conta dois aspectos bem distintos. De um lado a singularidade de cada relação analítica e as peculiaridades do mundo interno de uma criança em desenvolvimento e do outro a compreensão da doença autismo infantil precoce, que afeta igualmente o desenvolvimento das crianças acometidas. Com o tratamento medicamentoso, comportamental e psicopedagógico da criança autista espera-se a redução dos sintomas e a adaptação da mesma à vida social, escolar e familiar.
Atualmente, a grande maioria dos psicanalistas realiza o tratamento da criança autista com a participação dos pais. Tanto o tratamento da criança autista quanto o dos pais são realizados, hoje, sob novo enfoque teórico-clínico, muito distinto do modelo da década de 60. O tratamento psicanalítico é, geralmente, complementado por outras modalidades terapêuticas, incluindo medicamentos, quando necessário.
1.4 MÉTODOS EDUCACIONAIS
O atendimento pedagógico da criança com distúrbios severos de comportamento requer uma estrutura muito bem preparada. Os programas trabalhados nas escolas devem procurar melhorias na qualidade de vida da criança, através de uma melhora de comportamento que facilite sua integração na família e na sociedade. O espaço escolar deve levar em conta o desenvolvimento humano estimulando a manifestação de potencialidades, a integração e o crescimento individual, grupal e social.
O educador deve dispor de maior número de recursos na sua prática educacional. Dentre as quais destacamos:
1.4.1 A MUSICOTERAPIA
A musicoterapia que é a aplicação da música com objetivos terapêuticos, a pessoas com Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) costuma ser bem aceita nos tratamentos, pois a música faz parte de situações vividas por estes em todas as fases de sua vida. Desde a escuta dos movimentos corporais da mãe na fase intra-uterina (batimento cardíaco, movimentos sanguíneos e peristálticos, músicas ouvidas pela mãe durante a gestação) até as canções de ninar dos primeiros dias de vida e as canções socialmente significativas ouvidas nos rituais de seu grupo social. A música constitui o primeiro espaço psíquico da criança, referência de segurança e saúde, podendo ser usada como uma ponte de acesso à expressão e comunicação das crianças com TID.
No trabalho musicoterápico a criança com TID vive situações de pertinência, capacitação, planejamento, divisão de tarefas, expressão adequada dos sentimentos e gratificação, entre tantas outras. Em diferentes atividades, diversas regiões do cérebro recebem estímulos para novos aprendizados e para a atitude de aprender, em experiências assimiladas no plano musical e levadas a outras áreas de sua vida.
Além do mais existem dois tipos de atendimento musicoterápico, que são o individual e o grupal, O atendimento grupal acontece quando representa um benefício para a criança com TID, quando este já está apto a perceber outras pessoas e realizar tarefas simples com elas. Possibilitando o estabelecimento de vínculos com outros membros do grupo que deve ser estimulados nos indivíduos com TID.
1.4.4 TERAPIA OCUPACIONAL
A atuação do terapeuta educacional se dar por vários modelos de intervenção e uma das áreas mais utilizada na área infantil, é a terapia de integração sensorial. É um mundo vasto de informações sensoriais, que precisam ser organizadas, caso contrário, bombardeadas por estímulos, nossa atenção vai flutuar de um ponto a outro, sem conseguir focar em algo e aprender com as interações com o ambiente. E a integração sensorial organiza todo esse processo.
Neste caso Crianças com falhas de processamento sensorial tendem a ser mais desorganizadas, muitas vezes tem dificuldade para prestar atenção e se relacionar com as pessoas, pois não organizam e interpretam informações sensoriais da mesma maneira que os outros. Na maioria das pessoas os mecanismos de integração sensorial se desenvolvem normalmente, como resultados das brincadeiras infantis e interações com o ambiente, pessoas e objetos.
Não podemos deixar de lado o problema sensório-motor na observação. E uma das formas de melhorar a situação da criança é reconhecer que o problema existe e interfere de forma importante no desempenho funcional e na interação da criança com o meio. Entender esses problemas nos dá uma nova forma de ver a criança, que de birrenta ou agressiva, passa a ser vista como a mercê das falhas de processamento sensorial, que resultam no comportamento observado.
1.4.5 MÉTODOS DE TRATAMENTO
Vários métodos são utilizados com alunos autista em sala de aula dentre os quais destacamos: o ABA, vem de um linha de tratamento chamado terapia comportamental, que é usado para reduzir os comportamentos educacionais. Quando a criança realiza o comportamento desejado recebe a recompensa, quando não ocorre, não recebe.
É importante ressaltar que as crianças com autismo levam mais tempo para aprenderem o que os outros pensam ou sentem, como, por exemplo, saber que a outra pessoa está satisfeita porque deu um sorriso ou pelo sua expressão ou gesticulação. Além da dificuldade de interação social, comportamentos agressivos são comuns especialmente quando estão em ambientes estranhos ou quando se sentem frustradas.
Estudo de caso
Entre os dia 15/05 a 19/05 foi realizado o estudo de caso, com o aluno G., diagnóstico de Transtornos do Espectro Autista.
Durante o estudo observou -se que ele tem problemas específicos como o medo, ataques de fobias, birras e agressões. Apresenta dificuldade na linguagem e comunicação.
O aluno G., tem cinco anos de idade, está matriculado no Pré, é uma criança diagnosticada com Espectro Global Autista, com distúrbio comportamental grave.
Depois do laudo, constatando autismo infantil, a mãe levou para fazer o acompanhamento, onde a fonoaudióloga indicou que matriculasse em uma escola de Educação Especial.
A comunidade escolar o recebeu e no início ele chorava muito, não brincava com os demais alunos, era uma criança agitada, recusava a entrar na sala, a mãe tinha que entrar junto na sala para que ele se sentisse mais seguro. Hoje é uma criança mais calma, brinca sozinho e sempre fala para a mãe que quer ir a escola.
Depois que G., passou a frequentar a escola o seu comportamento mudou muito, não é mais agressivo, interage com os colegas e ele fala muitas palavras.
A professora relata que no início teve bastante dificuldade em trabalhar e desenvolver as atividades com o aluno, agora ele mesmo pede o lápis e papel para desenhar e escrever.
Quando começou a ir a escola , ele não falava, se escondia das pessoas,hoje ele interage com todos a sua volta.
Para trabalhar na sala de aula os recursos usados são os disponíveis na escola, são pinturas , colagens, recortes, músicas, brinquedos educativos.
A mãe tem uma boa interação com a escola, sempre preocupada e procurando saber sobre seu filho e a situação dentro da sala de aula sabe o quanto é importante esse vínculo com a família.
TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO, 3º Milênio 2005, 2º Edição. Walter Camargo Jr. E Colaboradores; Coleção Estudos e Pesquisa na Área de Deficiência.
DRAUZIOVARELLA.COM.BR. Acessado em 20/05/2017.
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